DA PRODUÇÃO AO CONSUMO: APROPRIAÇÃO CRIATIVA E CULTURAL NA PAISAGEM

Renata Carrero Cardoso, Carolina Gallo Garcia

Resumo


Os movimentos urbanos de retomada de áreas centrais e pericentrais de grandes cidades, outrora abandonadas e negligenciadas tanto pelo mercado imobiliário como pelo poder público no decurso dos processos de desindustrialização operam, atualmente, a partir de mudanças valorativas, a instauração de novos referenciais estéticos, de estilos de vida e padrões familiares. A aceitabilidade de tais movimentos pelo mainstream produz novos conjuntos de valores sociais e culturais da cidade, que se refletem em mudanças paradigmáticas nas formas de consumo e de apropriação do espaço intraurbano, resultando em transformações significativas para a construção e percepção da paisagem. Jovens profissionais urbanos, categorizados sob o conceito da classe criativa, com frequência tomam a frente nos processos de ressignificação e legitimação simbólica de áreas industriais esvaziadas, o que evidencia a importância e o valor econômico de suas atividades na transição da era industrial para a era da economia do conhecimento, apoiados fortemente no desenvolvimento do setor de serviços e na demanda por produtos com alto teor simbólico e elevado valor econômico. Estabelecem-se assim, as bases para uma forma de intervenção no território impulsionada pelo capital cultural, capaz de promover a transformação radical de uma paisagem urbana de produção em uma paisagem de consumo. Neste trabalho, buscou-se verificar mudanças na paisagem e nas suas formas de fruição, colocadas em marcha no atual processo de requalificação do chamado Quarto Distrito da cidade de Porto Alegre a partir de uma análise do bairro Floresta. Ainda, buscou-se depreender em que medida as práticas criativas sobre determinada área detêm a capacidade de produzir novos valores sociais e econômicos a elementos constituidores da paisagem urbana.


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